Entre as obras, destaca-se a recorrência da maçã, símbolo da transgressão, frequentemente explorado pela artista.
A CAIXA Cultural Recife será tomada pelo vermelho intenso e marcante da obra da artista pernambucana Tereza Costa Rêgo entre os dias 25 de março e 21 de junho de 2026. A exposição “Tereza Costa Rêgo – Sem Concessões”, com curadoria de Denise Mattar, evidencia o imaginário erótico, político e feminino da pintora, reconhecida como uma das principais representantes da arte figurativa no Brasil. A entrada é gratuita.
Em sua estreia nacional, a mostra reúne cerca de 30 obras que percorrem momentos marcantes da trajetória da artista, revelando um processo de construção e amadurecimento de uma narrativa feminina potente. Após a temporada no Recife, a exposição segue para a CAIXA Cultural Salvador, em dezembro de 2026, e para a CAIXA Cultural São Paulo, em setembro de 2027, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.
O percurso expositivo começa com gravuras produzidas na histórica Oficina Guaianases, nos anos 1980, que evocam sensações de confinamento e opressão, com figuras marcadas pela solidão e pela clausura.
Entre as obras, destaca-se a recorrência da maçã, símbolo da transgressão, frequentemente explorado pela artista. Segundo a curadora, a imagem surge inicialmente de forma sutil, até ganhar força e ser associada a uma figura de Eva que também representa a própria Tereza. A partir desse momento, sua pintura assume um caráter mais direto, político e erótico — plenamente alinhado ao conceito da exposição.A mostra valoriza a pintura figurativa de cores intensas e forte narrativa, característica da artista, que retrata episódios decisivos da história brasileira, de Canudos à Ditadura Militar, conectando memória coletiva e experiência pessoal. Entre os destaques estão obras como Pecado Original, O Parto do Porto, Cobertor de Gatos e o monumental Apocalipse de Tereza, com 12 metros de extensão — uma síntese visual onde vida, morte, erotismo e política se entrelaçam.
Mais do que apresentar sua produção, a exposição amplia o acesso à obra de Tereza Costa Rêgo e reforça a importância do protagonismo feminino e da centralidade do Nordeste no cenário artístico nacional. Sua criação segue provocando reflexões sobre memória, violência histórica, liberdade e desejo, ampliando o alcance da arte contemporânea.
Sobre a Artista
Tereza Costa Rêgo, que faleceu em 2020 aos 91 anos, construiu uma trajetória marcada por escolhas firmes e corajosas. Sua vida e obra refletem uma busca constante por liberdade — pessoal, artística e política — rompendo com padrões sociais para afirmar uma existência guiada pelo amor, pela arte e pela transformação.
Nenhum comentário: